quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Futebol puro

O futebol puro tem vindo a ser assassinado com o passar dos anos pelo método e conhecimento. Os jogadores de rua, os meninos que começam desde cedo a pontapear bolas de trapos, a fazerem cuecas e concursos de toques na rua, muitas vezes descalços, são cada vez menos e, quando chegam ao futebol profissional, têm de se sujeitar à intelectualização da táctica.

Por toda a história, existem exemplos de crianças oriundas de condições impróprias que conseguiram singrar no mundo do futebol, tornando-se em magos do futebol. Em África, qualquer jogador surge, à partida, num meio deste género. Com mais coisas com que se preocupar, os governos, instáveis na maior parte dos casos, não se podem dar ao luxo de investir no futebol, mas a paixão da população está lá.

Com condições de saúde degradáveis e com uma esperança média de vida muito inferior à que se regista na Europa, o futebol surge, para muitos, como remédio. Com paixão, sonho e ambição, as crianças entragam-se à magia de virem a disputar um dia um Mundial.

Na curta de Silas Hagerty, estes pontos são abordados de um ponto de vista mais abrangente. O futebol é um meio de reunir pessoas com uma paixão para os perigos da Sida, como uma forma de alerta. É portanto, um denominado país do terceiro mundo (Zâmbia) a aproveitar a força da modalidade para algo realmente importante e não apenas para interesses escondidos e obscuros como ocorre tão frequentemente nos ditos desenvolvidos.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

NEWCASTLE JETS
O legado "deixado" por Jardel

Vasco da Gama, Grémio, FC Porto, Galatasaray, Sporting, Bolton, Ancona, Newell's Old Boys, Alavés, Goiás, Beira-Mar, Anorthosis Famagusta... e Newcastle Jets. A ida de Mário Jardel para a Austrália, onde se tornou no "marquee player" (equivalente ao designated player nos Estados Unidos, ou seja, a possibilidade das equipas fazerem uma contratação cujos valores salariais não entrem no famoso tecto salarial imposto pela liga). Mediático como sempre, ajudou a tornar o campeonato australiano mais interessante para quem viu o que Jardel conseguia fazer há uns anos. Alguns jogos depois, quase sempre como suplente, o avançado brasileiro abandonou, mas deixou o "legado": a equipa iria sagrar-se campeã. Com ou sem Jardel, a verdade é que esteve presenta na época.

A equipa de Gary Van Egmond conquistou assim o primeiro título de sempre na história. A jogar em 4x2x3x1, com um meio-campo povoado e uma capacidade de circulação de bola de fazer inveja a muitas equipas europeias, os Jets conseguiram aproveitar ao máximo os erros dos Central Coast Mariners, vingando assim a derrota na "Major semi-final".

Na baliza, Ante Covic foi um dos melhores elementos durante a época. Na final, foi poucas vezes chamado a intervir, mas quando isso aconteceu não desiludiu. À frente, teve um quarteto de luxo. Na direita, Tarek Elrich não comprometeu a defender e ajudou às fortes investidas que a equipa fez por esse flanco, levando que do lado contrário D'Apuzzo fosse mais comedido a subir. No eixo da defesa, Andrew Durante foi simplesmente inultrapassável e dominador nos despiques individuais, acabando por vencer mesmo a medalha Joe Marston, de melhor elemento em campo. Ao seu lado, Jade North esteve igualmente eficaz a defender.

Numa primeira linha do meio-campo, Adam Griffiths e Musialik tomavam conta da primeira fase do ataque, dando mais liberdade de movimentação a Mark Bridge, pela direita, Matt Thompson, pela esquerda, e Jin Hyung Song, o sul-coreano de 20 anos.

Com uma negociação falhada para o campeonato espanhol, Song decidiu rumar a Austrália esperando que lhe facilitasse uma desejada saída para a Europa. Jovem, ágil e bom tecnicamente com os dois pés, tem valor para ambicionar a campeonatos mais competitivos e com maior mediatismo. Continuando no meio-campo, Mark Bridge foi dos elementos mais irrequietos durante os primeiros 45 minutos e foi graças à pressão que fez sobre Vidmar que conseguiu recuperar a bola e marcar o único golo da partida.

Na frente, Joel Griffiths é a figura incontornável da equipa. Melhor marcador da equipa, foi também votado como o melhor jogador do campeonato. "Pouco" avançado, Griffiths deambula pelo terreno nunca permitindo uma marcação fácil. Caiu com muita frequência nas alas e descia para o meio-campo para ajudar à constante circulação de bola dos Jets, chegando mesmo a aparentar que actuavam em 4x6x0. Não marcou, mas esteve irrepreensível durante os 90 minutos.

* Central Coast Mariners e Newcastle Jets encontraram-se na final, depois de os Mariners terem vencido a "Major Semi-Final" frente aos Jets, garantindo desde logo a presença na final. Os Jets tiveram que esperar pelo vencedor do encontro da "Minor Semi-Final" (Queensland Roar) para discutir a segunda vaga.

CENTRAL COAST MARINERS
O erro de carreira de Vidmar

Antes do início da transmissão televisiva, os spots de John Aloisi e Tony Vidmar, os dois veteranos do Central Coast Mariners, repetiam-se. Focando o regresso ao campeonato australiano depois do sucesso internacional, ambos se apresentavam como ambiciosos para vencer o título local. O central Vidmar, figura do Glasgow Rangers entre 1997 e 2002, ia mais longe e dizia mesmo: "até agora... missão cumprida". Estava longe de imaginar o papel que teria na final contra os Newcastle Jets.

Com o equilíbrio dominante na partida, Vidmar perdeu o controlo da bola por momentos e permitiu o desarme de Bridge. O avançado dos Jets correu para a baliza e bateu Vukovic fazendo o único golo da partida. Dez minutos depois, aos 75, Vidmar era substituído. Um final de carreira inglório para o central.

No entanto, a derrota dos Mariners pode ter começado a surgir na ausência do onze titular do médio Tom Pondeljak. Votado como o segundo melhor jogador do campeonato, Pondeljak não estava a 100 por cento e Lawrie McKinna optou por deixá-lo no banco, dando a oportunidade a Greg Owens.

Apresentando-se em 4x4x2 e sem Pondeljak, as figuras eram o central Tony Vidmar e o avançado John Aloisi. Na baliza, Danny Vukovic. Sem ter tido muitas intervenções durante a partida, também não teve hipótese no golo sofrido. Nos instantes finais subiu à área para tentar o golo de igualdade e acabou por ser o principal destaque negativo. Não gostando da decisão do árbitro Mark Shield em deixar passar em claro uma grande penalidade a favor dos Mariners, Vukovic deu uma palmada no braço do juíz da partida. Resultado: Expulsão imediate e 15 meses de suspensão anunciados ontem.

O quarteto defensivo apresentou-se com Boogaard na direita, Ceccoli na esquerda e dupla de centrais composta por Wilkinson e Tony Vidmar. Face às variantes tácticas do adversário, os níveis de concentração do quarteto tinham que estar muito apurados e, até ao golo, foi Vidmar quem comandou. Na direita, Boogaard tentava ajudar a equipa no ataque sempre que podia, enquanto Ceccoli na esquerda teve muitas dificuldades em suster os ataques contrários, já que houve uma aposta clara dos Jets em aproveitar esse flanco.

No meio-campo, Greg Owens esteve longe de ser uma boa alternativa a Pondeljak. No lado esquerdo, Kwasnik conduziu grande parte dos ataques, sacando inúmeros cruzamentos para a área, apesar de John Aloisi nunca ter dado o melhor seguimento. No meio, Hutchinson foi um jogador mais reservado, dando liberdade a Jedinak. Foi Jedinak quem acabou por assumir a criação de jogo dos Mariners, ainda que sem muito sucesso. Nunca teve hipótese de tentar o remate de longe que lhe é característico. Pondeljak jogou os últimos quinze minutos, mas foi insuficiente para esboçar alguma reacção.

Na frente de ataque, além do veterano e inconformado Aloisi, jogou Petrovski. Nunca conseguiu ter espaço para jogar. Também nos últimos minutos, Matt Simon entrou para a frente e criou um par de oportunidades, inclusive um remate cruzado que passou a centímetros do poste direito da baliza de Ante Covic.

* Central Coast Mariners e Newcastle Jets encontraram-se na final, depois de os Mariners terem vencido a "Major Semi-Final" frente aos Jets, garantindo desde logo a presença na final. Os Jets tiveram que esperar pelo vencedor do encontro da "Minor Semi-Final" (Queensland Roar) para discutir a segunda vaga.

sábado, 23 de fevereiro de 2008

NIGÉRIA
O temível ataque irreal

Se de repente surgisse a pergunta: Numa competição internacional, em que a Nigéria apresente jogadores ofensivos da qualidade de Yakubu (Everton), Kanu (Portsmouth), Makinwa (Lazio), Obafemi Martins (Newcastle), Odemwingie (Lokomotiv Moscovo) e Utaka (Portsmouth), para além do estrela ascendente Obi Mikel, consiga ultrapassar a fase de grupos e seja apenas eliminada na segunda fase, quantos golos poderá a selecção marcar?

Há dois pontos essenciais para poder responder a esta pergunta na minha opinião. Primeiro que tudo, dependerá claramente da inspiração dos jogadores citados. Em segundo plano, do treinador da selecção e da filosofia que impinge aos jogadores antes de cada partida.

E se, de facto, a inspiração dos jogadores não foi das melhores, os problemas apresentados pelo técnico Berti Vogts logo desde o início deixaram antever que o ambiente da selecção poderia correr bem melhor.

Com Vincent Enyeama no banco, guarda-redes considerado como um dos melhores do continente africano, Ejide teve a responsabilidade de defender as Super Águias na competição. Três golos sofridos em 360 minutos não é um registo criticável.

Na defesa, o destaque natural será para o lateral Taye-Taiwo, um dos melhores laterais esquerdos a actuar no campeonato francês. Gostando de integrar as jogadas de ataque da equipa, assume papel especial nos lances de bola parada. Contra a Costa do Marfim, fica na retina o disparo indefensável à barra da baliza de Barry. Com Yobo a dar experiência, Shittu (Watford) foi uma surpresa, especialmente devido à assustadora presença física em campo, capaz de intimidar qualquer avançado.

Do meio-campo para a frente, surgem as maiores estrelas. Obi Mikel foi intocável e teve em Olofinjana o principal companheiro, que falhou apenas o jogo com o Benim por ter visto dois cartões amarelos. Kanu, que actuou recuado nos primeiros 56 minutos da competição, ficou-se por aí: 56 minutos. No entanto, a sua importância fez-se sentir no banco, onde funcionou como um braço direito (ou mesmo o verdadeiro treinador) de Berti Vogts.

Obafemi Martins foi uma desilusão e jogou apenas os dois primeiros jogos. Utaka foi irregular, Odemwingie foi crescendo com o desenrolar da prova e só Yakubu esteve realmente a um nível razoavelmente alto, actuando os 360 minutos em que a Nigéria participou.

Já agora, respondendo à pergunta inicial, foram três os golos: Dois de Yakubu (um de grande penalidade) e um de Obi Mikel.

Estatísticas
  • Dos 23 jogadores convocados por Berti Vogts, três não foram utilizados: os guarda-redes Aiyenugba e Enyeama e o defesa Emeghara
  • Cinco jogadores foram totalistas: Ejide (guarda-redes), Shittu, Taiwo e Yobo (defesas) e Yakubu (avançado)
  • O defesa Afolabi esteve muito perto de não ter sido utilizado. No entanto, o minuto jogado contra o Benim, substituindo Odemwingie) não deu para suar sequer
  • Kanu jogou apenas 56 minutos no jogo de abertura, despedindo-se aí da prova
  • A Nigéria foi admoestada com sete cartões amarelos: Olofinjana (2), Obafemi Martins, Odemwingie, Nwaneri, Taiwo e Obi Mikel
  • As Super Águias marcaram tantos golos quanto os que sofreram - 3. Foram alcançados por Yakubu (2) e Obi Mikel

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

MARACAIBO
Herói de trazer por casa

O Unión Atlético Maracaibo é um clube venezuelano com aspirações internacionais muito escassas. A presença no grupo 4 da Libertadores juntamente com Boca Juniors, Colo Colo e Atlas permitiu aos adeptos, contudo, poder receber os campeões da Libertadores logo na jornada inaugural.

Estádio cheio e expectativas ao rubro para assistir à partida do mago-Riquelme. Não foi assim de espantar que durante a primeira parte, quando o Boca Juniors seguia para o ataque, um adepto, extasiado pela hipótese de ver jogar o argentino, entrou em campo correndo em direcção ao herói: o herói internacional. O jogo continuou e no final os venezuelanos conseguiram um empate a um golo, estando mesmo a ganhar durante alguns minutos.

Que equipa será esta então? Sem nomes de grande prestígio internacional, o único nome que poderá ser reconhecido pelo público mais atento é o do guarda-redes colombiano Henato. Excêntrico à boa maneira de Higuita, Henao encontrou na Venezuela um bom retiro. Com dificuldades nos lances de 1x1, nomeadamente no posicionamento entre os postes, é um guarda-redes que se enquadra na tradição sul-americana.

A defesa é composta por quatro jogadores, embora os laterais tenham tarefas completamente opostas. Na direita, Pedro Fernández é mais ofensivo. Forte fisicamente, gosta de incorporar as jogadas ofensivas, surgindo frequentemente na mesma linha que os restantes médios. Já Fuenmayor actua junto dos dois centrais: Muñoz e Lancken. O primeiro é mais completo: bom posicionamento, bom jogo de cabeça e perigoso nos lances de bola parada ofensivos. Já Lancken é um central mais para o choque e não tanto de sair a jogar.

Para essa transição de bola da defesa para o meio-campo surge Miguel Mea Vitali. É a âncora da equipa venezuelano, decidindo quando a equipa avança, quando se adianta, ataca pela direita ou pela esquerda. Ganha maior destaque nos lances de bola parada com um excelente remate de longa distância. Ligeiramente mais à frente, jogam o capitão Urdaneta e Figueroa. Urdaneta tem a missão de organizar o ataque em zonas mais adiantadas, mas contra o Boca Juniors teve muita dificuldade em ter a bola controlada. Bom tecnicamente e no passe longo. Já Figueroa tem uma zona de acção maior. Surgindo nos dois flancos ou em zona de remate frontal, é uma peça bastante móvel da equipa e difícil de acompanhar.

Pela ala esquerda joga Rojas. Com Fuenmayor a actuar com muitas cautelas defensivas, Rojas tem liberdade para decidir por onde andar. Optando preferencialmente pela ala, não é invulgar vê-lo a procurar a bola em zonas mais centrais ou mesmo servindo de apoio de cobertura ofensiva.

Finalmente, o ataque é talvez o sector mais fraco, pelo menos aquele que menor destaque teve na partida com o Boca Juniors. Incapazes de se libertarem das marcações da defesa xeneize, Saucedo e Maita foram presas fáceis.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

GUINÉ-CONACRY
Reféns de Pascal Feindouno

Há dois anos, a Guiné-Conacry surpreendeu o mundo do futebol. No grupo com África do Sul, Zâmbia e Tunísia, os Le Syli alcançaram o primeiro lugar. Dois anos depois, repetir a façanha seria complicado, especialmente com o anfitrião Gana incluído, mas a disputa com Marrocos prometia ser competitiva.

Sem o ex-axadrezado Sambegou Bangoura no lote dos eleitos, Robert Nouzaret não deixava de ter a espinha dorsal da equipa, a verdadeira alma, composta por Fode Mansaré na esquerda, Ismael Bangoura no lado direito e Pascal Feindouno no centro.

Começando a análise pela baliza, há o "João Ricardo guineense". Entrado nesta prova desempregado, Kemoko Camara deu excelentes provas de qualidade durante a prova. Foi titular indiscutível, sofrendo 10 golos em quatro partidas. À primeira vista, poderá ser um número negativo, mas é em muito influenciado pela goleada sofrida frente à Costa do Marfim nos quartos-de-final (0-5). De resto, além das boas defesas, Camara fica também marcado por ter sofrido alguns dos melhores golos da prova: Muntari no jogo inaugural, Aboucherouane na vitória com Marrocos ou o tiro de Bakary Koné na goleada marfinense.

Na defesa, o destaque principal vai para a forte dupla de centrais, composta por Dianbobo Baldé (Celtic) e Oumar Kalabane (Manisaspor). Muito fortes fisicamente, aparentam alguns problemas de mobilidade, mas ainda assim não deixam de ser o maior trunfo na defesa. Bons no jogo aéreo, Kalabane fez questão de o demonstrar com um golo de belo efeito contra o Gana. Depois de actuarem os três primeiros jogos juntos, Robert Nouzaret decidiu deixar Baldé e Kalabane no banco contra a Costa do Marfim. Quando o descalabro era total, o técnico lançou Kalabane aos 73 minutos. Tarde demais.

Nas laterais, Jabi (Trabzonspor) e Ibrahima Camara (Le Mans) foram aqueles que mais tempo ocuparam o lugar. No lado direito, Jabi foi totalista e evidenciou-se especialmente pela simplicidade de movimentos, tentando acima de tudo não comprometer defensivamente e acompanhar o ataque com segurança. No lado contrário, Ibrahima Camara falhou o primeiro jogo, mas depois tomou conta da esquerda. Ao contrário de Jabi, Ibrahima não dá tanta segurança, mas é bastante mais ofensivo. Combinou bem com Mansaré contra Marrocos.

Numa forma global, no entanto, não se pode afirmar que a defesa guineense seja má. Os cinco golos sofridos à Costa do Marfim exibiram o desnorte sentido frente à equipa que melhor ataca no continente africano. As ausências de Kalabane e Balde foram sentidos e servem, de certa forma, como desculpa.

No meio-campo, numa primeira fase, não houve lugares reservados. Kanfory Silla (Sivasspor) e Mohamed Cissé (Bursaspor) poderiam ser, à partida, os titulares, mas Silla fez apenas os dois primeiros jogos, enquanto Cissé só actuou os 90 minutos contra Marrocos. Curiosamente, a única vitória foi alcançada quando o meio-campo estava no seu esplendor, ou seja, com os dois no meio-campo e com o trio mais adiantado composto por Bangoura, Feindouno e Mansaré.

Estatísticas:
  • Dos 23 jogadores convocados por Nouzaret, três não foram utilizados: os dois guarda-redes (Diarso e Yattara) e o defesa Habib Jean
  • Três actuaram os 360 minutos possíveis: o guarda-redes Kemoko Camara, o lateral-direito Daouda Jabi e o extremo/avançado Ismael Bangoura
  • Foram mostrados sete cartões amarelos a jogadores guineenses: Pascal Feindouno, Souleymane Youla, Kanfory Sylla, Douda Jabi, Mohamed Cissé, Ibrahima Camara e Kamil Zayaté
  • Pascal Feindouno viu o primeiro cartão vermelho da competição
  • Os Le Syli apontaram cinco golos no campeonato: Feindouno (2), Oumar Kalabane, Ismael Bangoura e Souleymane Youla
  • Um dos golos foi apontado de grande penalidade: Feindouno contra Marrocos
  • A equipa sofreu cinco golos na partida em que a dupla de centrais titular esteve no banco

SENEGAL
Leões da Teranga "sen" brilho

Das equipas que à partida poderiam ser apontadas como candidatas à conquista da CAN, os Leões da Teranga foram a maior desilusão, não conseguindo sequer o apuramento para os quartos-de-final. Os senegaleses, reféns do problemático El Hadji Diouf, nunca conseguiram ter a tranquilidade necessária e acabaram eliminados por Tunísia e Angola, não se escapando de vários problemas disciplinares, onde estiveram envolvidos, entre outros, Diouf, Sylva e mesmo o "português" Ousmane N'Doye.

No grupo D juntamente com os defensivos tunisinos de Roger Lemerre, a incógnita angolana de Oliveira Gonçalves e a débil África do Sul de Parreira, Kasperczak tinha a legítima ambição de garantir um lugar nos quartos-de-final.

O empate inaugural com a Tunísia não ajudou, especialmente devido ao golo tardio tunisino, mas ainda tiveram a hipótese de praticamente fechar o apuramento com Angola. Em vantagem no marcador, não conseguiram evitar a recuperação da selecção de Manucho e companhia, acabando por perder 1-3.

A nível individual é difícil encontrar um destaque positivo. A selecção necessita de uma forte renovação e não estar dependente daquele que outrora foi importantíssimo para a evolução da equipa: El Hadji Diouf. Mimado, chegou a abandonar a selecção, mas foi entretanto demovido pela federação, que o convocou para particulares como se nada tivesse acontecido.

Estatísticas
  • Dos 23 jogadores convocados por Kasperczak, apenas três não chegaram a ser utilizados: o guarda-redes Cheikh Ndiaye, Sarr e Sonko
  • O mesmo número de jogadores actuou os 270 minutos possíveis: os defesas Souleymane Diawara e Abdoulaye Faye e o avançado Sall
  • Os Leões da Teranga viram por oito vezes o cartão amarelo. Sall foi o único a ver duas vezes; Habib Beye, Souleymane Diawara, Abdoulaye Faye, Papa Ba, Gueye e Diomansy Kamara viram uma vez
  • Os quatro golos foram apontados por jogadores diferentes: Diomansy Kamara, Sall, Abdoulaye Faye e Henri Camara
  • Tony Sylva e El Hadji Diouf, dois dos jogadores destacados por indisciplina, perderam a titularidade no terceiro jogo depois de terem actuado os 90 minutos dos dois jogos
  • Os "portugueses" Ousmane N'Doye e Sougou foram pouco utilizados. N'Doye foi titular no primeiro jogo, mas actuou apenas 63 minutos em toda a competição, enquanto Sougou entrou nas duas últimas partidas, num total de 14 minutos